“Eu lembro uma vez em que estávamos entre Cassilândia e Chapadão do Sul e teve um acidente na rodovia, que ficou interditada por horas. Havia uma fila enorme de carros aguardando a liberação da via e nossa filha, que era pequena ainda, começou a ficar muito nervosa e apavorada com a espera. Na época, não havia ainda os símbolos que identificam os autistas como o cordão de identificação, adesivos, carteirinha. Eu fui até o PRF que estava na ocorrência e expliquei a situação. Ele, para minha surpresa foi muito solícito e compreensivo e disse que assim que liberassem a pista, nós poderíamos passar. E foi o que ele fez”. 

Esse depoimento é da Maria Dorothea, mãe da Camila, que hoje se tornou uma linda adolescente. Ambas participaram da ação do Dia Mundial de Conscientização do Autismo, que aconteceu no Terminal Rodoviário de Campo Grande pela manhã, com o apoio do SINPRF/MS (Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais do MS), superintendência da PRF, AMA (Associação dos Amigos do Autista) e do Guardião Azul, entidade de apoio às famílias dos autistas.

 

Com o lema “Compreender para apoiar”, foram distribuídos panfletos e realizadas palestras nos ônibus para informar a população sobre o TEA (Transtorno do Espectro Autista), que hoje acomete uma a cada 36 crianças em todo mundo. Ele afeta o desenvolvimento do cérebro, comprometendo a capacidade de relacionamento e interação com pessoas e com o ambiente. Muitos autistas são sensíveis ao som alto, movimentos bruscos, ao toque, podendo ter reações que podem ser interpretadas como birras ou falta de educação.

Alexandre Figueiredo, gestor nacional e um dos idealizadores do projeto “PRF Amiga dos Autistas” tem um filho de oito anos diagnosticado com TEA e é um militante dessa bandeira, pois sabe o quão é difícil lutar contra o preconceito e a desinformação. “As pessoas precisam se informar mais e essas campanhas tem esse objetivo. Muitas vezes, uma criança em crise é tida como mal-educada ou birrenta, enquanto que é apenas uma maneira dela expressar seu sofrimento. Para os pais, sobra o julgamento e a recriminação”, lembra Figueiredo. 

Ele encabeçou o movimento nacional para levar não apenas aos PRFs, mas para todas as forças da Segurança Pública, capacitação aos servidores para que tenham uma abordagem diferenciada e humanizada para os autistas e suas famílias.

Dyogo Zottos, gerente do Terminal Rodoviário, ficou muito feliz por terem escolhido o local para a ação, pois segundo ele, falta ainda muita informação para saber lidar com pessoas com TEA e espera que essas ações se multipliquem em outros terminais.

Já o presidente do SINPRF/MS, Wanderley Alves dos Santos, que disponibilizou o ônibus do sindicato para levar os veteranos da PRF e famílias atendidas pela AMA ao terminal, disse que é gratificante apoiar um projeto que nasceu aqui em Mato Grosso do Sul e que se tornou referência nacional. “Procuramos sempre apoiar as ações que beneficiem a comunidade porque a própria história da PRF nasceu de uma iniciativa popular e o projeto “PRF Amiga do Autista”  nasceu aqui no nosso estado e é a prova dessa história de cidadania”, finalizou.

Por: Ascom SinPRF/MS